terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Un Jour à Chalottenburg

Berlim


Acordei às 10:30 pelo meu camareiro e tomei café com creme, torradas, geléia de framboesas da Alsácia, uma omelete detestável (está cada vez mais difícil encontrar bons cozinheiros!) e bolos de baunilha. Tive de fazer uma toalete assaz imprópia: dispunha de apenas uma hora e creio que os sapatos perolados carmesins não combinavam adequadamente com o jabô modestamente rendado. Os coletes não estão devidamente ajustados e preciso fazer outros. Como não estamos na estação, haverá tempo para chamar Almofini de Milão para novas peças de toalete.
Às 13:00, no almoço, tive de encontrar-me com aquele destestável advogado novo-rico que julga, por saber segurar um garfo, ter tato! Talvez minha toalete imprópria tivesse dito algo a ele sobre em que grau de consideração o tenho. Se não me houvesse atrasado apenas quarenta minutos, talvez isso ficasse mais claro. Mas de qualquer forma preciso desse plebeu que está a par dos negócios em minhas terras na Borgonha e na Saxônia.
Após a tediosa conversa, fui caçar, mas esta estação está lastimável e só encontrei patos, alvos fáceis até para alguém tão sem destreza no tiro quanto um camponês. As raposas simplesmente desaparecerem durante o outono.


Deus Todo-poderoso seja louvado que Voltaire veio distrair-me depois da caça com sua prosa tão picante, o que está supremamente na moda. Aqui na província, longe de Versalhes, entedio-me dia a dia, porém o serviço do rei é sagrado! Poderiam ter-me enviado a Roma ou, ao menos, a Viena, mas agora suporto bem Berlim... Mulheres pouco interessantes, burguesas estúpidos, nobres sem tato, culinária desumana... Enquanto passeávamos pelo jardim, expus ao gentil filósofo meus bosquejos para Um Tratado sobre a Natureza do Flogístico segundo a Filosofia Natural de Newton e suas Relações com os Sistemas Políticos do Velho e do Novo Mundo, que pretendo publicar em breve, tão logo esteja um pouco menos sobrecarregado dessa penosa vida que levo.
À noite, darei um baile. Espero a Condessa de Complementmonpic, mas preciso ser astuto o suficiente para distrair o seu marido, um velhote corcunda e asmático, além, claro, da Duquesa de Zollverein, que insiste que ainda temos algo a tratar em matéria de Vênus.


8 comentários:

Flávia disse...

no início do texto tava pensando q tinhas mudado de time... mas logo percebi que n era vc... quem é?

marcelofigueiro disse...

Fala primo, legal saber que temos um Figueiró na Alemanha, logo dominaremos o mundo. Mandei até minha mulher colocar o Figueiró em seu nome. No dia do casamento você conseguiu chegar em casa?
Abraços.

Alexandre disse...

Não são patos.. são marrecos... e um "Cisney" rsrsrs

Ivan disse...

Embriaguez de sucesso...

Leca disse...

o que são essas coxinhas verdes no jardim?

Liv disse...

Não entendo como voce pode se interessar por gente da categoria dos Complementmonpic, sinceramente, até seu advogado novo-rico me parece mais digno de atenção do que aquela mulher.

Em sua proxima visita ao rio de janeiro, logo ao deixar o aeroporto já será possível se dedicar a caça de urubus na linha vermelha.

Liv disse...

outra das atrações que teremos na próxima temporada: jogos do vasco contra ilustres equipes como o Caxias.

Wesley disse...

falou o último aristocrata do rio de janeiro