segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

"Nós cos alemão vamos se divertir"
Rilke

Berlim

O pouco que deu para conhecer da vida noturna berlinense já é digno de nota -- a começar pela inusitadíssima canção que ouvi num bar/danceteria pau-mole. Naturalmente o obsequioso leitor a conhece; no entanto, carecem-me palavras para descrever a câimbra que estorceu todo o meu peito ao ouvir as primeiras notas daquele sintetizador/estojo musical paraguaio de meio bit. Então veio a letra para pulverizar qualquer dúvida: "Chorando se foi quem um dia só me fez chorar..."
Naturalmente, num ambiente em que ninguém entende minha língua, tive de acompanhar esse magno sucesso da lambada, clássico que figurou no também clássico filme Lambada, a Dança Proibida, ao qual você aí no Brasil poderá assistir pela ducentésima vez amanhã coladinho no SBT.
Encantador o fato de que as pessoas não ficam fumando na tua fuça. A música também é balanceada para ser suficientemente audível, evitando que o cliente, após algumas noitadas, tenha de comprar um Sonic 2000, e, no entanto, é baixa o suficiente para que se possa conversar sem esgoelamento. As comidas e bebidas são em conta, ao contrário do Brasil, onde os donos dos estabelecimentos parecem que querem escravizar os clientes por dívida e pô-los depois para lidar no canavial. Depois duma semana de Alemônia, já desisti de multiplicar tudo por 3,30 e assumo que um refrigerante por um euro e meio é pechincha.
Ao contrário do Brasil onde o rico agora quer tirar onda de pobre, onde os pontos de encontro da pleiboizada Zona Sul estampam orgulosamente o nome de boteco, como o Belmonte ou o São Nunca, Berlim inteligentemente segue a velha tradição de o fodido querer imitar o bacana, como sempre foi desdo início da Civilização. Aqui qualquer birosca se chama "Café", incluindo o Zosch, na Tucholskystraße, o qual, logo nas primeiras passadas, me pôs em dúvidas sobre sua verdadeira identidade: seria o bom e velho Skylab do meu pai, uma cripta ou o bânquer de Hitler? A música, ao vivo, era jazz, com direito a contrabaixo e tudo - e com entrada franca! No Brasil, teríamos de pagar pelo menos 30 merréis para entrar, ouvir fanque em sistema de som turbina a jato e pagaríamos no fim 10%. Ah, compatriotas, estamos na Idade da Pedra!


Tosco, mas não resisti. Um viva às câmaras digitais!


Quod non fecerunt barbari, fecerunt brasilienses.


Não tenham pena dele: esse sanguinário urso de pelúcia, responsável por uma série de assassinatos cruentos e estupros, teve o fim que mereceu.

5 comentários:

Thiago Reder disse...

Esse urso foi aquele do quarto jornal em sana!

Aliás, pois então "os alemão" gosta de ouvir Kaoma? Impressionante que 20 anos depois esse hit-grude continua levando o pessoal a dançar a dança proibida.

Ah, e que essa descoberta sua da gratuidade das boates da Alemanha lhe sirva de lição! QUANTAS VEZES você já me sacaneou quando eu me opunha a pagar essas porras de consumação (como se eu fosse o jeca!) Tou feliz de saber que acabei nascendo no país errado.

Por fim, metodologia ABC: Abraços, Boa sorte e um Conselho: PARCIMÔNIA! 1,5 euro por um refri é CARO PRA CAR****! Vai acabar voltando pro Brasil vestindo um barril!

Alexandre disse...

porra.... dava pra comprar um cocão 3 litros e um torresmo por aqui!

Nanda disse...

hahahah Que bizarro. Na boate tocando chorando se foi...

Sr. Alfonso Grão, confesso que sou leitora assídua de seu humilde blog!!!

Flávia disse...

tadinho do ursinho...

jiraya... inacreditável!

mas mais inacreditável foi a música digna de feira dos paraíbas.

arrasa, mona!

Discípula de Hatshepsut disse...

hahahaha..."Chorando se foi...?"
Cada dia amo mais ser brasileira. Além de não desistir nunca, minha cultura é admirada em todo mundo!!! Aposto que a próxima de seu playlist germânico será "A Lua me traiu" com o mundialmente conhecido rei da guitarra Chimbinha e sua banda Calypsooooo!!!