terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Brasil, Capital Argentina

Berlim

O desconhecimento das informações mais elementares sobre nossa pátria amada, apesar de esperado, nunca deixa de idignar. As bolas-foras aqui são constantes, começando pela mais básica de achar que falamos espanhol, isso quando não, para a alegria dos quaremistas, brasileiro, como aliás está num fôlder do próprio Instituto Goethe! No meu primeiro dia a flanar por Berlim, encontrei num elo perdido entre o trêiler e o boteco, um borracho teutônico que, tomar ciência que eu era brasileiro, foi ao seu amigo asseverar com a gravidade dum romanista que o Brasil é o único país em todo continente americano que fala português. E houve uma italiana que não se contentou com esse pecadilho da língua, como naturalizou brasileiro ninguém menos do que Maradonna! Claro que nossa terra é completamente irrelevante para o funcionamento dessa bola de estrume que se chama planeta Terra (depois dessa escreverei uma canção-resposta a Guilherme Arantes - "Terra, Planeta Bosta") e é natural que para um europeu mesmo uma informação elementar como saber a capital brasileira tem a mesma razão de ser como nós nos preocuparmos com o número de habitantes do Butão.
Mas de fato me surprendeu a ignorância geográfica aqui dos cablocos que habitam o velho mundo. Nego deve achar que sou cartógrafo ou estrategista da CIA (não, não, pensando bem: eles não entendem nada de geografia...) diante das fuças de espanto quando se tem noção de que o Trieste faz fronteira com a Eslovênia, que a Lituânia é banhada pelo Baltíco e tem a capital em Vilnius, que Rimsky-Korsakov foi um compositor russo...
Certa francesa, por exemplo, com uma mapa-múndi à nossa frente, não entendeu de imediato que o Brasil é muito maior que a França (e não cinco ou seis vezes como supôs) e que, se o mapa não correspondia à sua expectativa, é devido àquele fato conhecido de qualquer aluno de 5ª série sabido que toda a representação cartográfica distorce ângulos, área ou formas. E Frau Görtz, nossa professora, confundiu Maximiliano de Áustria, imperador-caô do México, com o nosso Papai Noel régio, D. Pedro II!
Ao menos uma coisa aqui, para meu espanto e desespero, é bem conhecida sobre o Brasil: "Chorando se foi só quem um dia me fez chorar..." Não só o turco da turma conhecia a nefanda canção, que julgara cantada em espanhol, como também a eslovaca e a própria professora nos seus provectos cinqüenta e tantos!
Outra irritação que tenho são os trocentos milhões de mendigas bósnias que me vêm pedir esmolas e o pessoal que, por não sei que cargas d'águas, me julga francês. Além das vogais nasais e do xale tchola não há fundamento para tal!
Não posso reclamar, porém, do nível civilzacional atingido por estas bandas. Aqui até os cachorros são civilizados. Consabido que o mundo livre e desenvolvido parou com essa péssima idéia de ter filhos, mas lamentavelmente o Ser Humano sofre de carência afetiva. A solução encontrada foram os bichinhos de estimação, notavelmente cães, que, a despeito do custo relativamente mais em conta em face dum pimpolho, têm uma vida útil bem curta. Por todo lugar (adúnia para os arcaizantes!) se vêem tchotchoros, quase todos "arianos", só um ou outro vira-lata de degenerada estirpe. O mais incrível que os animais se comportam de forma superior aos nossos conterrâneos: conseguem andar pelo mundo sem coleira -- leve conotação política... --, não sujam as ruas, ficam quetinhos no metrô e quando encontram um seu semelhante não vão se atracar nem cruzar.
Bodemuseum (não tem nada a ver com "bode"!).






BELTING, Hans. Likeness and Presence, alguma página aí...

Acreditem: eu estou andando à beça; a torre é que é onipresente!

O clichezão do Checkpoint Charlie dum ângulo não muito promissor.

País desenvolvido é outra história... Além do Papai Noel, os alemães dispõem do São Nicolau (que Nicolau? pergunta o ingênuo) que nos dias 6 de dezembro coloca doces nos sapatos das crianças segundo uma velha tradição. Deveras deve ser velha essa tradição, quiçá medieval, porque pôr comida dentro dum tênis ofende todas as regras elementares de higiene, sobretudo num tênis fedegoso e chulezento como o meu.

2 comentários:

Flávia disse...

aaaaaaaaaaaahhhhh que fofinho!! vc ganhou doce!!! hahahahaha

Liv disse...

Bem, pelo menos voce trocu de tenis esse ano.

E voce anda pagando de nerde pela europa, é? mas que coisa feia...